RESENHA SOBRE: O QUE É SEMIÓTICA (Lúcia Santaella)

 

          Com base no livro O que é Semiótica de Lúcia Santaella, ela explica sobre a teoria de Peirce que semiótica é a ciência geral de todas as linguagens, a ciência que estuda os signos, um tipo de energia que reage e que é reagida pelo ser humano, uma energia que move qualquer coisa. Sendo na evolução humana a ciência mais recente, que surgiu para estudar os  signos do mundo, das palavras, em qualquer parte.  Surgindo para entender como funcionam os signos e que relações se estabelecem.

           No século XX nasce o crescimento de duas ciências da linguagem. Uma delas é a ciência que estuda a lingüística verbal e a outra a lingüística da semiótica que estuda a ciência de todos os tipos de linguagem. A lingüística da língua verbal é a forma de comunicação que estamos acostumados a comunicarmos, percebendo a forma de comunicação com o outro. Formas essas que somos capazes de produzir, criar, reproduzir, transformar e consumir, ou seja, ver–ouvir-ler para que possamos nos comunicar uns com os outros.

            Em outros tempos, grupos humanos constituídos sempre recorreram a modos de expressão, de manifestação e sentidos e de comunicação sociais outros e diversos da linguagem verbal, desde os desenhos nas grutas de Lascaux, os rituais de tribos “primitivos”, danças, musicas, cerimônias e jogos, até as produções de arquitetura e de objetos, além das formas de criação de linguagem que viemos a chamar de arte: desenhos, pinturas, esculturas, poética, cenográficas e outros.

            De dois séculos para cá (pós-revolução industrial), as invenções de maquinas capazes de produzir, armazenar e difundir linguagens (a fotografia, o cinema, os meios de impressão gráfica, o rádio, a TV, as fitas magnéticas etc.) povoou nosso cotidiano com mensagens e informações que nos espreitam e nos esperam. É no homem e pelo homem que opera o processo de alteração dos sinais (qualquer estimulo emitido pelos objetos do mundo) em signos ou linguagens (produtos da consciência).

             As linguagens estão no mundo e nós estamos na linguagem. A semiótica é a ciência que tem por objeto de investigação todas as linguagens possíveis, ou seja, que tem por objetivo o exame dos modos de constituição de todo e qualquer fenômeno com fenômeno de produção de significação e de sentido.

             Seu campo de indagação é tão vasto que chega a cobrir o que chamamos de vida, visto que, desde a descoberta da estrutura química do código genético, nos anos 50, aquilo que chamamos de vida não é senão uma espécie de linguagem, isto é, a própria noção de vida depende da existência de informação no sistema biológico. Sem informação não há mensagem, não há planejamento, não reprodução, não há processo e mecanismo de controle e comando. Sem a linguagem seria impossível á vida, pelo menos como a conceituamos agora: algo que se reproduz, que tem um comportamento esperado e certas propensões. Não só a vida é uma espécie de linguagem, mas todos os sistemas e formas de linguagem tendem a se comportar como seres vivos, ou seja, eles reproduzem, se readaptam, se transformam e se regeneram como as coisas vivas.

Embora a semiótica se constitua num campo intrincado e heteróclito de estudos e indagação que vão desde a culinária até a psicanálise, que se intrometem não só na meteorologia como também na anatomia, que dão palpites tanto ao cientista político quanto ao músico, que imprevistamente invadem territórios que se querem bem protegidos pelas bem demarcadas fronteiras entre as ciências, buscando divisar e deslindar seu ser de linguagem, isto é sua ação de signo.

            Conforme o Legado de C.S. Peirce a semiótica, a mais jovem ciência a despertar no horizonte das chamadas ciências humanas, teve um peculiar nascimento, assim como apresenta, na atual fase do seu desenvolvimento histórico, uma aparência não menos singular. A primeira peculiaridade reside no fato de ter tido, na realidade três origens ou sementes lançadas quase simultaneamente no tempo, mas distintas no espaço e na paternidade: uma nos EUA, outra na união Soviética e a terceira na Europa Ocidental.

            O surgimento em lugares diferentes vem confirmar que a proliferação histórica crescente das linguagens e códigos, dos meios de reprodução e difusão de informações e mensagens, proliferação esta que se iniciou a partir da revolução Industrial – vieram gradativamente inseminando e fazendo emergir uma “consciência semiótica” gerando a necessidade do aparecimento de uma ciência capaz de criar dispositivos de indagação e instrumentos metodológicos aptos a desvendar o universo multiforme e diversificado dos fenômenos de linguagem.

            Charles Sanders Peirce, foi um cientista-lógico filosófico, também matemático, físico, astrônomo, realizou contribuições importantes no campo da Geodésia, Metrologia e espectroscopia. Foi um estudioso da Biologia e da Geologia. Em nenhum momento de sua vida, contudo, Peirce se confiou estritamente às ciências exatas e naturais. No campo das ciências culturais, ele se devotou particularmente á Lingüística, Filologia e História. Também contribuiu para á psicologia que fizera dele o primeiro psicólogo dos EUA. Sendo um cientista, Peirce era cima de tudo, um lógico a qual foi a grande e irresistível paixão de sua vida. Depois de tantos méritos e contribuições ele falecerá em 1914.

            Todo tempo em que Peirce foi um cientista, ele também foi um filosofo. As 16 anos de idade começou a estudar Kant e, alguns anos mais tarde, sabia a Crítica da Razão Pura de cor. Levando para a Filosofia o espírito da investigação cientifica que assumiu que as disciplinas filosóficas são ou podem se tornar também ciências e que, para tal, propôs aplicar na filosofia, com as modificações necessárias, os métodos de observação, hipóteses e experimentos que são praticadas nas ciências.

            Desde o começo do despertar do seu interesse pela Lógica, Peirce a concebeu como nascendo, na sua completude, dentro do campo de uma teoria geral dos signos ou Semiótica. Ele concebeu a lógica como sendo um ramo da Semiótica. Mas tarde, ele adotou uma concepção muito mais ampla da lógica que era quase coextensiva a uma teoria geral de todos os tipos possíveis de signos. Na última década de sua vida, estava trabalhando num livro que se chamaria Um Sistema da Lógica, considerado como Semiótica. Segundo SANTAELLA (1983), a semiótica peirceana, longe de ser uma ciência a mais é na realidade, uma filosofia cientifica da linguagem, sustentada em bases inovadoras que revolucionaram, nos alicerces, 25 séculos de filosofia ocidental.

            No mundo como linguagem, a semiótica é vista dentro do sistema filosófico de Pierce um conjunto com várias ciências no qual destacamos três: a Ciência da descoberta, Ciências da digestão e Ciências aplicadas. As Ciências das descobertas são Matemática, Filosofia e Ciências especiais. A Ciência da digestão é ao que digere as descobertas da ciência das descobertas. As Ciências aplicadas se dividem em dois ramos: ciências físicas e psíquicas, que pode ser entendido como ciências aplicadas. Passando assim por várias transformações ao decorrer do tempo.

No edifício filosófico peirceano destacam a fenomenologia, como base fundamental para qualquer ciência, que observa os fenômenos, postulando as formas universais desses fenômenos e é independente das ciências normativas. Ciências essas que se desenvolvem na base da fenomenologia como: Estética, sendo algo que foi apenas percebido, sem interferência. A Ética que se torna uma ação ao que foi percebido, tendo como base a Estética.  E a semiótica também conhecida como lógica que é quando pensamos sobre o que foi percebido e reagido. Tendo como base à Ética e Estética. Exemplo um sofá na sala, quando o vemos e estética, quando o sentamos e ética e quando pensamos sobre ele é semiótica.

A Semiótica é qualquer coisa que esteja de algum modo presente à mente, ou seja, qualquer coisa que aconteça, seja ela externa ou interna, seja ela real ou não. Segundo Peirce a Semiótica é a descrição e analise das experiências de tudo que estão em aberto para todo o homem, cada dia e hora em qualquer lugar do nosso cotidiano.

Depois de muito estudo Peirce define apreensão de todo e qual quer fenômeno Primeiridade, Secundidade e Terceiridade. A Primeridade é o primeiro contato que temos com alguma coisa, è a ação que precede toda e qualquer ação. O pensamento que precede todo o pensamento. A Secundidade é a fatualidade do existir. Você sabe quem é, porque viu o outro. È identificando o outro como a si mesmo.   Com a Terceiridade consiste em identificar algo que já conhecemos, quando vemos e sabemos o que é, onde estamos.

A maneira de Peirce se expressar não é muito clara, porém explica que a linguagem não é apenas o uso de palavras ou o uso de signos convencionais, mais o uso de qualquer signo, desde que envolva o conhecimento ou a consciência ligada a significação, isto é, é o uso do signo, quando esse uso mostra que a mente captou a relação de significação. Os signos são representações que se valem da informação cultural de cada indivíduo em que pode significar coisas diferentes para pessoas diferentes.

Peirce ainda classifica os signos como tricotomias: Quali-signo, Sin-signo e Legi-signo em que dedicou se em explorações minuciosas em que o entende desta tríade se assemelham com a tríade da Primeridade, Secundidade e Terceiridade, onde Quali-signo é a relação do signo consigo mesmo, ou seja, quando vemos uma cor em sua pura qualidade. O Sin-signo é a relação do signo com seu objeto dinâmico, ou seja, quando pensamos a cor é vermelho. E a Legi-signo é a relação do signo com seu interpretante, ou seja, a lei do signo. É quando pensamos: “Vermelho lembra sangue”.

Além de C.S. Peirce existiram outros estudiosos que fincaram seus estudos na ciência da semiologia. Com esses estudos voltados intencionalmente para semiótica começaram a se desenvolver, e houve a convergência das três fontes de estudo da semiótica para a criação de uma ciência única. Que essa convergência não pode nos levar a esquecer ou ocultar as distinções nas bases dessas fontes.

REFERÊNCIAS

SANTAELLA, Lucia. O que é semiotica.  São Paulo: Brasiliense, 2007. (Coleções primeiros passos;)

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